ARTIGIANI DEL FUTURO - Dona Rufina

No quadro ARTIGIANI DEL FUTURO trazemos algumas histórias para vocês conhecerem e se inspirarem.

Conversando, trocando experiências e compartilhando, a gente vai movimentando as engrenagens e fazendo a máquina andar, porque acreditamos que o futuro é esse, coletivo e colaborativo.

Hoje quem conta um pouco do seu percurso é a designer Luciana Bulcão, que, à frente da Dona Rufina, uma marca slow fashion que produz bolsas e acessórios e que nasceu do desejo de valorizar a cultura do Pampa Gaúcho, vem criando peças únicas e atemporais.

Confira abaixo nossa entrevista com a querida Lu.

História

Qual é o seu nome da sua marca? Conta pra gente um pouquinho sobre você e as referências para o nome de sua marca.

LB: O nome da marca é Dona Rufina. O nome é em homenagem a uma figura icônica da cidade de Bagé, onde fui criada. Rufina era uma negra linda que passeava pelas ruas da cidade declamando poesias e cantando. Detalhe, ela que sempre carregava um turbante na cabeça, uma bolsa a tira colo e batom vermelho. Mesmo sendo considerada “louca” por algumas pessoas devido o seu jeito particular, era uma pessoa querida por todos e que marcou a minha infância.

Processo Produtivo

Como é o processo produtivo da sua marca? Em quais etapas você se envolve mais? Qual delas lhe dá maior prazer? Fale também de suas inspirações para criar ou desenvolver coleções...

LB: O processo produtivo da Dona Rufina começa na criação dos modelos das bolsas. O meu processo criativo é pautado muito nas vivências, referências que marcaram certos momentos da minha vida, e claro no pampa gaúcho. Também bebo muito de diversas fontes artísticas, como arquitetura, literatura e a música. É difícil dizer quando se dá este processo, pois a qualquer momento tudo pode virar objeto de inspiração, então costumo brincar que nós, designers, estamos sempre criando.

Depois vem a hora do planejamento técnico, o momento de traduzir as minhas ideias em fichas e desenhos técnicos, que é magistralmente feita pela Gisele Germany. Aqui vale destacar que um bom planejamento e modelagem são fundamentais para excelência do resultado final do produto. Quanto a isto eu não me preocupo, pois tenho 100% de confiança na Gica, ela é maravilhosa!

Depois temos o processo de feltragem, que também é algo que eu amo fazer! Lidar com a lã e o contato com as artesãs é para mim algo mágico. É poder voltar a um universo lúdico e afetivo da minha infância. Ao mesmo tempo em que este processo mergulha num passado não tão remoto e resgata uma tradição ancestral, nos permite deslocar o território pampa gaúcho para outras partes do mundo, através de produtos contemporâneos de moda.

A parte da escolha do couro (descarte da indústria calçadista de Novo Hamburgo), é algo muito intuitivo, é como se eu sempre tivesse feito isto, não consigo explicar. Aqui não tem planejamento de cor, nem de textura. Eu preciso ver e sentir o couro, preciso que ele “me escolha”, ou escolha a alma de cada bolsa, sim, porque as minhas bolsas têm vida, elas são personagens da obra do mestre Érico Veríssimo. Então, cada bolsa tem uma personalidade diferente da outra.


Sobre as COLABS - Co-criar produtos com outros designers, a partir do excedente do couro das bolsas, é um desafio muito prazeroso. A gente entende que nada acontece por acaso e que a energia de cada pessoa é fundamental para o resultado do produto final. Até agora fomos muito felizes nas nossas parcerias. Tanto no sapato com a designer Rolila Caetano quanto na coleção de acessórios com a Helena Ribas.

Potencial

Quais são as principais potencialidades e fraquezas de sua empresa?

LB: Acreditamos que trabalhar com um produto feito a mão é sempre um desafio, mas não chega a ser uma fraqueza. O mercado da moda ainda valoriza mais o fast-fashion, o produzido em larga escala, mas acreditamos que isto esteja com os dias contados. Ainda precisamos ter mais pessoas com mão de obra qualificada, o retorno ao artesanal é algo que se torna cada vez mais urgente. Curioso que o nosso principal diferencial (feito à mão e exclusivo) seja também a nossa maior fraqueza aqui no Brasil. Porém acreditamos num cenário positivo em relação ao retorno do handmade num futuro não tão distante.

Dicas da Lu

O que diria a alguém que está pensando em iniciar um negócio?

LB: Que ele seja o amor da sua vida, e tenha sempre um propósito bem claro de onde você quer chegar. Isto com certeza pautará melhor as difíceis decisões que você terá que tomar ao longo de sua carreira e que serão fundamentais para o sucesso do seu negócio.

Onde Comprar

E finalmente, onde podemos encontrar suas peças a venda?

LB: Nossos produtos podem ser encontrados na loja física ALOJA – Rua Lucas de Oliveira, 265, Porto Alegre/RS e em nosso site: www.donarufina.com





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Mastri é um ateliê-escola de produção artesanal e modelagem de acessórios em couro